Cinco meses após sofrer um grave traumatismo cranioencefálico durante uma viagem na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP), a jovem paranaense Júlia Bossoni continua enfrentando uma rotina intensa de tratamentos para recuperar os movimentos e funções afetadas pela lesão.
O acidente aconteceu em abril deste ano. Júlia ficou desacordada após uma das voltas na atração e foi levada em estado grave para a Santa Casa de Vinhedo. Ela passou por uma cirurgia de emergência e permaneceu internada durante 57 dias.
Segundo um laudo médico citado pela família, o traumatismo teria ocorrido por um mecanismo de contragolpe durante o passeio na montanha-russa. Desde então, Júlia passou por sete cirurgias e apresenta perda dos movimentos do lado esquerdo do corpo, dificuldades na fala e problemas de memória.
A família mantém uma rotina de cuidados e reabilitação. O marido, João Pedro Bossoni, e a mãe da jovem, Danielle Rimolli, dividem os cuidados e acompanham sessões de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e outros tratamentos voltados à recuperação neurológica.
João Pedro afirma que a principal preocupação da família é ajudar Júlia a recuperar a autonomia e a qualidade de vida que tinha antes do acidente.
O caso está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que abriu procedimento para apurar as circunstâncias do episódio e solicitou uma perícia na atração. O processo ainda está em andamento.
Família busca respostas
Além do tratamento, os familiares também recorreram à Justiça em busca de esclarecimentos sobre o que aconteceu durante o passeio.
O Hopi Hari afirma que Júlia recebeu atendimento imediato após apresentar problemas durante a utilização da atração. Segundo o parque, as despesas relacionadas à internação em Vinhedo foram custeadas durante o período em que ela permaneceu na cidade, e um seguro foi disponibilizado à família.
O parque também informou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções periódicas. A administração afirma ainda seguir as normas nacionais aplicáveis aos equipamentos de parques de diversão.
Segundo a empresa, a atração possui placas e avisos sonoros com informações sobre seu funcionamento, classificação e restrições de uso. O parque também citou um parecer do Ministério Público emitido em agosto de 2026, segundo o qual não foi identificado risco coletivo relacionado à montanha-russa.
O Hopi Hari informou ainda que Júlia teria utilizado a Montezum duas vezes no mesmo dia. Conforme a versão apresentada pelo parque, o primeiro passeio ocorreu por volta das 11h e o segundo aproximadamente cinco horas depois, às 16h30. O episódio ocorreu durante a segunda passagem pela atração, quando, segundo a empresa, a visitante apresentou um quadro de convulsão e recebeu atendimento das equipes do parque.
Outros registros
A reportagem também menciona outros episódios envolvendo a Montezum. Um homem ficou tetraplégico após um acidente na atração em 2014 e morreu em 2023 em decorrência de complicações relacionadas a uma infecção urinária. Em julho deste ano, uma mulher foi encaminhada à enfermaria após relatar dores no pescoço.
Sobre ocorrências anteriores a 2019, o Hopi Hari afirma que os casos pertencem a administrações passadas. A empresa também declarou que mantém procedimentos de manutenção preventiva, inspeções e equipes técnicas destinadas à operação da Montezum.
O parque informou ainda que mais de 870 mil pessoas visitaram o empreendimento desde janeiro de 2026 e que aproximadamente 470 mil passaram pela Montezum no período. A atração também tem uma reforma prevista para o fim deste ano.
Enquanto o caso segue em investigação, Júlia continua concentrada na recuperação. Para a família, a expectativa é que o tratamento permita que ela retome gradualmente a independência e atividades que fazia antes do acidente.


