Publicado em 03/09/2026 às 09:49,
João Pedro Souza de Arruda dos Santos havia recebido liberdade provisória com tornozeleira eletrônica, mas Justiça determinou nova prisão preventiva após análise dos aparelhos apreendidos.
Um estudante de Engenharia de Software da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de 25 anos, voltou a ser preso nesta quarta-feira (2), em Campo Grande, durante uma nova etapa da Operação Infância Segura. A prisão ocorreu após o surgimento de novos elementos durante a análise dos dispositivos apreendidos na investigação.
O investigado havia sido preso em flagrante no dia 28 de agosto, durante a quinta fase da operação, realizada na Vila Sobrinho. Na ocasião, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), foram encontrados mais de 3 mil arquivos relacionados a abuso sexual infantil armazenados em aparelhos celulares.
O material estava em uma pasta protegida nos dispositivos e, conforme a investigação, continha imagens e vídeos envolvendo crianças e adolescentes. O conteúdo permanece sob análise pericial.
Após a prisão inicial, o Ministério Público pediu a conversão da detenção em prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados estava o conhecimento técnico do investigado na área de informática, que, segundo os promotores, poderia facilitar a ocultação ou eventual manipulação de provas.
Entretanto, durante a audiência de custódia realizada em 29 de agosto, o pedido de prisão preventiva foi negado. O juiz José Henrique Kaster Franco concedeu liberdade provisória, com monitoramento por tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias.
Na decisão inicial, foram considerados fatores como a ausência de antecedentes criminais e o fato de o investigado ser primário. Também foi apontada, naquele momento, a inexistência de indícios de comercialização do material investigado.
A situação mudou após o avanço das diligências. Com a perícia e a análise dos aparelhos recolhidos, investigadores identificaram novos elementos que, segundo o MPMS, reforçaram a necessidade da prisão cautelar.
Diante disso, a Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA) de Campo Grande expediu o mandado de prisão preventiva. A decisão considerou, entre outros pontos, a necessidade de preservar a ordem pública, garantir o andamento das investigações e evitar possíveis interferências na produção de provas ou eventual repetição das condutas investigadas.
A nova prisão ocorreu no âmbito da sexta fase da Operação Infância Segura, conduzida pelo MPMS por meio da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC), em apoio à 69ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.
O processo tramita sob segredo de Justiça. Os dispositivos eletrônicos apreendidos continuam sendo submetidos a exames periciais, que poderão contribuir para esclarecer a extensão dos fatos investigados.