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Advogados são presos suspeitos de desvio milionário de remédios contra o câncer em MS

O grupo atuava de forma organizada para conseguir dinheiro público por meio de decisões judiciais que obrigavam o Estado a fornecer medicamentos de alto custo, principalmente para tratamento de câncer.

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Polícia faz operação contra empresas suspeitas de lucrar com medicamentos caros 

Uma operação conjunta das forças de segurança e órgãos de controle tenta desmontar um esquema criminoso que pode ter desviado milhões de reais da saúde pública em Mato Grosso do Sul. A ação, chamada de “OncoJuris”, foi deflagrada nesta quinta-feira (23) e cumpriu mandados em três estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Dois advogados foram presos em Campo Grande.

Segundo as investigações, o grupo usava decisões judiciais para obrigar o Estado a fornecer medicamentos de alto custo, principalmente para tratamento de câncer. A suspeita é de que o esquema era utilizado para obter recursos públicos de forma irregular.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) informa que a Comissão de Defesa e Assistência dos advogados esteve presente nas diligência e que "adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando sempre o direito à ampla defesa e contraditório".

Como funcionava o esquema

De acordo com a apuração, a organização era dividida em diferentes grupos, cada um com uma função específica:

Administrativo: responsável por montar orçamentos e apresentar informações que davam aparência de legalidade aos pedidos na Justiça;

Jurídico: atuava para incluir empresas investigadas nos processos judiciais;

Empresarial: formado por empresas que serviam como intermediárias para receber o dinheiro público, mesmo sem estrutura adequada ou autorização para fornecer medicamentos;

Importação: cuidava da compra dos remédios no exterior, por valores muito menores do que os cobrados do Estado.

Ainda conforme a investigação, depois que a Justiça autorizava o pagamento, grande parte do dinheiro ficava com as empresas envolvidas, sob a justificativa de “serviços de assessoria”. Apenas uma pequena parte era usada, de fato, para comprar os medicamentos.

Risco à saúde dos pacientes

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades é que há indícios de fornecimento de medicamentos sem registro na autoridade sanitária brasileira. Também foram encontradas falhas na documentação, transporte e armazenamento dos produtos, o que pode representar risco para os pacientes.

Mandados e cidades envolvidas

Ao todo, foram cumpridos:

5 mandados de prisão temporária

21 mandados de busca e apreensão

As ações ocorreram em:

Mato Grosso do Sul: Campo Grande e Ribas do Rio Pardo

São Paulo: capital, Barueri e Itu

Minas Gerais: Nova Lima

Início das investigações

O caso começou a ser investigado em setembro de 2025, após uma denúncia feita pelo Núcleo de Atenção à Saúde da Defensoria Pública. A partir disso, as autoridades identificaram indícios de um esquema estruturado e com atuação em mais de um estado.

Próximos passos

Segundo a força-tarefa, o objetivo da operação é reunir provas, interromper as atividades ilegais e responsabilizar os envolvidos, além de evitar prejuízos aos cofres públicos e proteger os pacientes.

As investigações seguem em sigilo, e novas ações não estão descartadas. As autoridades afirmam que outras informações serão divulgadas apenas no momento oportuno.


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