Publicado em 08/07/2026 às 08:24,

Donos de garagem e casas noturnas, pai e filho estão entre os presos pelo Gaeco.

Na teia do esquema de 27 milhões estão vários núcleos familiares da Capital, segundo investigação

Redação, Campo Grande News
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Divulgação

Depois de mãe e filhos, dois homens e os filhos deles, além de um pai com a filha, estão entre os presos da Operação Gutenberg. Nesta terça-feira (7), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) cumpriu mandados em 8 cidades de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás em busca de provas contra um esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos e também mira servidores públicos e um ex-prefeito.

RESUMO

Além dos 43 mandados de busca e apreensão, a força-tarefa foi às ruas para prender 16 pessoas. Dentre os presos estão a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e os filhos dela, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, o ex-prefeito de Fátima do Sul Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, e o servidor da Secretaria Municipal de Educação de Porto Murtinho, Marcio de Souza, pego em flagrante por porte irregular de arma de fogo durante o cumprimento dos mandado

O coordenador estadual de Regulação Assistencial da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Ed Carlo Britto Burgatt, e a filha dele, Jessyka Duarte Burgatt, também foram presos.

Outros núcleos familiares aparecem entre os alvos da investigação. Também na Capital, o Gaeco prendeu os empresários do ramo de comercialização de veículos e entretenimento noturno, Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, pai e filho, respectivamente.

Paulo é dono de Atalaia Veículos, enquanto Douglas aparece como proprietário da Atalaia Eventos e Produções Ltda., nome oficial de tabacaria conhecida na cidade, a Lord Pub. No Instagram, contudo, o mais novo faz propaganda dos carros oferecidos na garagem que está em nome do pai. “Vendo e falo de veículos”, escreveu na biografia, que divulga a página de outro pub da Capital, O Irlandês.

Conhecido como “Paulinho Atalaia”, o empresário foi dono de casas de shows famosas na cidade, Jeremias e Bartholomeu.

Dono da Editora Avante, a Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, sediada em São Paulo (SP), Joatan Gomes Peixoto, é outro alvo de mandado de prisão na Gutenberg. O filho dele, Matheus Oliveira Peixoto, também foi alvo de mandado de prisão, embora a editora seja o foco da ofensiva, segundo apurado pela reportagem. Joatan e o filho passarão por audiência de custódia nesta quarta-feira (8).

A reportagem conversou com os advogados que foram até o Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada) atrás dos clientes (citados na matéria), mas nenhum deles quis se manifestar antes de ter acesso ao teor da investigação.

A operação – Não há detalhes ainda da participação de cada um no esquema. A Operação Gutenberg cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Em Dourados, uma cirurgiã-dentista foi alvo de mandado de busca e apreensão. Durante as diligências, o marido dela acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, após a apreensão de uma espingarda calibre 22 e munições calibre 38.

Segundo o Gaeco, o grupo é investigado por suposto esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos, por meio de contratações com suspeita de direcionamento e dispensa indevida de licitação. A apuração alcança possível atuação de funcionários públicos em um esquema relacionado à regulação de consultas, exames, cirurgias e leitos da rede pública de saúde.

No Core (Complexo Regulador Estadual), em Campo Grande, a equipe do Gaeco permaneceu por cerca de duas horas e deixou o local levando um malote com materiais apreendidos. O órgão é responsável pela regulação do acesso de pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) a leitos, consultas, exames e procedimentos especializados.

Durante a operação também foram apreendidos R$ 69.795 em espécie e 907 dólares. Parte do dinheiro estava acondicionada em cédulas ainda lacradas pelo Banco Central.

Em nota, o Governo do Estado informou que vai afastar ou exonerar os servidores investigados e que a SES e a CGE (Controladoria-Geral do Estado) irão acompanhar as investigações e realizar auditoria sobre os procedimentos citados pelo Ministério Público