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Estância clandestina onde amigos morreram em tirolesa tem como sócio ex-presidente do TCE-MS investigado por corrupção

Propriedade, avaliada em R$ 4,4 milhões, não possui autorização para ser alugada para festas. O local foi notificado, multado e interditado.

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Ex-presidente do TCE-MS, Waldir Neves é proprietário da fazenda onde amigos morreram em MS 

A Estância Walf, onde dois jovens morreram durante a comemoração de um casamento no último fim de semana, em Bonito (MS), tem o ex-presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Waldir Neves Barbosa, como sócio. Ele já foi investigado por suspeitas de corrupção.

Segundo apuração do g1, a propriedade está registrada no nome da empresa Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda. A empresa, com foco para locação, foi aberto em 23 de abril de 2021. Após confirmar que o ex-presidente do TCE-MS era um dos sócios do local, o g1 voltou a procurar a defesa do empreendimento, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

A empresa tem valor estimado em R$ 4,4 milhões. Embora no cadastro da empresa preveja o "aluguel de imóveis próprios", a estância não possuía as licenças específicas do Corpo de Bombeiros e da prefeitura para operar como local de eventos e atividades de lazer, funcionando, para este fim, de forma clandestina.

Como atividades secundárias, constam o cultivo de outras plantas de lavoura e a criação de bovinos para corte. Os donos da empresa podem responder criminalmente diante da investigação da Polícia Civil.

As mortes ocorreram no domingo (22). O local foi alugado por três dias para uma festa de casamento.

Os bombeiros informaram que, sem o certificado de segurança emitido pelo Corpo de Bombeiros, a prefeitura não pode liberar o alvará. Sem esse documento, qualquer evento realizado no local é considerado clandestino.

A Polícia Civil identificou que toda a estrutura da tirolesa, em uma chácara em Bonito (MS), onde os amigos Gustavo Henrique Camargo, de 29 anos, e Pedro Henrique de Jesus, de 20 anos, morreram, era metálica e que no topo da torre havia um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados.

Como foi o acidente

Segundo a Polícia Civil, o acidente ocorreu na área de eventos da estância, onde há uma tirolesa instalada sobre uma lagoa. Conforme a apurado pela polícia, o acidente ocorreu na área de eventos da estância. Gustavo descia pela estrutura da tirolesa quando, segundo a investigação, sofreu uma descarga elétrica e caiu na lagoa que fica abaixo.

Ao ver o amigo em dificuldade, Pedro entrou na lagoa para socorrê-lo e também pode ter sido atingido por descarga elétrica. Familiares confirmaram que Gustavo caiu na água após o possível choque e teve dificuldade para sair. A polícia investiga as circunstâncias e aguarda laudos para confirmar a causa das mortes.

Descarga elétrica e estrutura metálica

Equipes da perícia estiveram na chácara, acompanhadas por policiais civis e com apoio técnico da Energisa, concessionária de energia no estado. No local, foram feitas medições e exames preliminares.

A suspeita da polícia é de que essa fiação possa ter energizado toda a estrutura metálica da tirolesa, o que pode explicar o choque elétrico relatado por testemunhas. Uma das vítimas apresentava lesões na pele compatíveis com descarga elétrica, o que reforça essa linha de investigação.

Pedro e Gustavo eram convidados do casamento e moravam em Vicentina e Caarapó, respectivamente.

O que dizem os donos?

O advogado e amigo dos proprietários da Estância Walf, Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda, afirmou ao g1 que os donos não estavam no local no momento do acidente.

Ele afirmou que a estância é uma propriedade particular, de uso privativo, eventualmente alugada, geralmente para conhecidos dos proprietários. A tirolesa foi construída há quatro anos sobre um açude dentro da propriedade e, segundo ele, não havia registro anterior de problemas.

Sobre a suspeita de descarga elétrica, o advogado informou que a perícia realizou medições no local e que, naquele primeiro momento, não havia ponto energizado.

Ele acrescentou que há refletores próximos à estrutura, mas estavam desligados, pois o acidente ocorreu durante o dia. Informou ainda que a concessionária de energia foi acionada e deve realizar uma verificação.

O advogado não comentou a falta de autorização para funcionamento do local.

Investigação TCE-MS

Waldir foi citado como integrante do esquema de lavagem de dinheiro, fraude e superfaturamento em licitações públicas, em uma investigação da Polícia Federal em 2022, durante a Operação Terceirização de Ouro.

Segundo a PF, o esquema de corrupção começou com a licitação de serviços da empresa Dataeasy, que tem sede no Distrito Federal. Para a PF, a empresa recebeu mais de R$ 100 milhões do TCE-MS em licitações fraudulentas desde 2018.

De acordo com a investigação, as empresas “escolhidas” ganhavam as licitações sem seguir as especificações necessárias, com documentos falsos e em tempo recorde.

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