Publicado em 29/04/2026 às 09:21,
Dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres na última segunda-feira (27), revelam que as mulheres recebem, em média, 26,16% a menos que os homens em Mato Grosso do Sul.
De acordo com o levantamento, em dezembro de 2025, a remuneração média das mulheres em empresas com 100 ou mais empregados foi de R$ 3.065,70. Já os homens, nas mesmas condições, tiveram rendimento médio de R$ 4.151,02.
A desigualdade também se evidencia quando analisado o recorte racial. Mulheres negras receberam, em média, R$ 2.658,43, enquanto mulheres não negras tiveram rendimento médio de R$ 3.706,03. Entre os homens, os negros registraram média de R$ 3.701,36, enquanto os não negros alcançaram R$ 5.067,47.
O cenário observado em Mato Grosso do Sul acompanha a tendência nacional. No setor privado brasileiro, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens, segundo o mesmo relatório.
Além da diferença salarial, o estudo aponta a menor participação feminina no mercado de trabalho formal em grandes empresas. No estado, as mulheres ocupam 36,7% dos vínculos empregatícios em estabelecimentos com 100 ou mais funcionários, o que representa cerca de 83 mil postos de trabalho, de um total de 226,1 mil.
Apesar disso, houve avanço na inserção de mulheres negras no mercado formal. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos ocupados por mulheres pretas e pardas cresceu 29% no país, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais de 1 milhão de novas contratações.
Em Mato Grosso do Sul, o relatório contabiliza 652 estabelecimentos desse porte. Dos 83 mil vínculos ocupados por mulheres, 50 mil são de mulheres negras, o equivalente a 60,2%, enquanto 32,9 mil são ocupados por mulheres não negras, representando 39,6%. Entre os homens, são 143,1 mil vínculos, sendo 95,1 mil ocupados por negros (66,4%) e 48 mil por não negros (33,5%).
Os dados reforçam a persistência da desigualdade salarial e de oportunidades no mercado de trabalho, evidenciando a necessidade de políticas públicas e ações institucionais voltadas à promoção da equidade de gênero e raça no país.