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Indicado por Gerson Claro é alvo de mais uma denúncia por fraude no Detran-MS

Ex-comissionado, Gênis Garcia foi 'promovido' a gerente de agência após trabalhar em campanha política do deputado

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Gerson Claro e Gênis Garcia Barbosa.

O ex-servidor comissionado do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS) Gênis Garcia Barbosa foi denunciado pelo Ministério Público em novo processo por fraude no órgão de trânsito.

‘Sumido’ há dois anos, Gênis foi nomeado para cargo operacional após indicação política de Gerson Claro, quando era diretor-presidente do Detran-MS, e foi ‘promovido’ a gerente de agência após trabalhar na campanha de Claro para deputado estadual, em 2018.

Assim que Claro tomou posse como deputado estadual, em 1º de fevereiro de 2019, Gênis foi até a Assembleia Legislativa se encontrar com o político. Na ocasião, tirou uma selfie com o deputado e compartilhou a foto em um grupo de servidores do Detran-MS com a legenda “clareando cada vez mais”.

Então, poucos dias depois, Gênis foi promovido a gerente da agência do Detran-MS no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Assim, o salário de Gênis teve aumento de quase 80%.

Justamente no cargo de gerente de agência é que, segundo as denúncias do MP, Gênis começou a cometer as fraudes. O ex-servidor consta como réu em 11 ações penais.

Logo após essa guinada na carreira pública dentro do Detran-MS, servidores denunciaram ao Jornal Midiamax, em março de 2019, que o órgão havia se transformado em ‘cabide de emprego’ para aliados eleitorais de Gerson Claro no Detran-MS.

Na época, Claro admitiu à reportagem que ainda exercia influência na definição de comissionados para cargos de chefia no Detran-MS, mesmo tendo deixado o comando do órgão em 2017, após ser preso acusado de corrupção no contexto da Operação Antivírus.

Ação penal contra Claro segue parada na Justiça, aguardando a realização de uma perícia.

A reportagem procurou Gerson Claro para comentar a ligação com Gênis. Questionado sobre ter indicado o ex-servidor ao cargo, sobre a atuação dele na campanha eleitoral e sobre a promoção após a eleição do ex-diretor do Detran como deputado estadual, Claro limitou-se a dizer: “Nenhuma relação com ele” e “muito menos com as ações que eventualmente tenha feito. Saí do Detran em 2017. Fatos citados são após isso”.

A reportagem apurou que Gênis trabalha em uma empresa de engenharia em Campo Grande. No entanto, ele estaria afastado pelo INSS há cerca de um ano. Há dois ele não é localizado pela Justiça para responder pelos processos criminais.

Fraude do quarto eixo

Consta na denúncia apresentada nesta semana pelo MP que a nova fraude teria sido cometida por Gênis em 2020, quando teria utilizado seus dados de acesso ao sistema do Detran-MS para incluir, irregularmente, o quarto eixo em semirreboque.

A fraude teria sido cometida após ele receber propina.

Então, o MP propõe que ele responda pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações e falsidade ideológica.

Caso condenado, a pena máxima pode chegar a 17 anos de prisão somente nesta ação.

Gerson Claro foi preso na Operação Antivírus

Atual presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Gerson Claro chegou a ser preso, em 2017, no contexto da Operação Antivírus, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), enquanto exercia cargo de diretor-presidente do Detran-MS.

As investigações do Gaeco apontaram que a empresa Pirâmide Informática foi contratada sem licitação no Detran-MS, em 2017, para implantar, manter e operar sistema de registro de documentos do órgão. A denúncia fala em “negócio da China”, voltado para “desviar recursos públicos”. Além de Claro, empresários e outros diretores do Detran chegaram a ser presos. Dias depois, Gerson deixou o cargo.

Para o Gaeco, a contratação da Pirâmide Informática era “totalmente dispensável”, uma vez que apenas servidores do Detran poderiam validar os contratos de financiamento para fins de registros no departamento. Ou seja, o serviço era feito duas vezes.

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