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Nunca vá sozinha terminar um namoro: confira como se proteger da violência

Casos recentes reforçam: mulheres devem se precupar com segurança ao terminar namoros, casamentos e até ficadas

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Advogada orienta deixar uma terceira pessoa avisada antes de terminar relacionamento. 

O término de um namoro, que deveria representar recomeço e liberdade, ainda é um dos momentos de maior risco para mulheres em situação de violência. Recentemente, o caso de Pricila — alvejada com tiros por seu ex-companheiro na última segunda-feira (16), em Santa Catarina e marcado por ameaças gravadas em vídeo antes do feminicídio, evidencia a importância de estratégias para proteção.

Vitória Junqueira Cândia é advogada especializada no atendimento de mulheres vítimas e vulneráveis. Conforme a profissional, o feminicídio recente assemelha-se à história de diversas mulheres que sofrem com violência doméstica, silenciosa, agressiva e, muitas vezes, fatal.

Do planejamento prévio à construção de uma rede de apoio, o Jornal Midiamax buscou a especialista para destacar sinais de perigo que não devem ser ignorados, bem como atitudes que contribuem para reduzir os riscos no momento do rompimento de um relacionamento ou namoro.

Como se sentir segura?

Seja em namoro, seja em casamento, Vitória explica que, em nenhuma circunstância, a mulher possui segurança completa para terminar a relação. O planejamento, contudo, pode contribuir para que o encerramento ocorra da maneira ‘menos traumática possível’.

“O que se recomenda do ponto de vista jurídico é que, quando vá comunicar a outra pessoa do término, da sua intenção em não mais manter um relacionamento com ela, sempre tenha alguém por perto ou então faça em um local público e de segurança, onde todos possam te dar o suporte caso necessário”, destaca.

Além disso, a advogada destaca que, quando se busca o fim de um relacionamento em local privado, existe maior probabilidade de ocorrer uma agressão física. “É no âmbito da privacidade que a maior parte das agressões acontecem.”

Ameaças após o término do namoro?

Conforme a especialista, caso a mulher sinta-se ameaçada, amedrontada ou coagida de alguma forma, é importante que registre boletim de ocorrência. Nesta situação, a vítima pode buscar a Casa da Mulher Brasileira mais próxima de sua cidade ou outras delegacias que realizem o registro criminal.

Seguido do boletim de ocorrência, a orientação é que faça, imediatamente, o pedido de medidas protetivas. “Essas medidas protetivas vão com certeza minimizar a possibilidade de uma possível agressão física ou mesmo de algo mais grave como um feminicídio”, comenta.

Medidas protetivas e rede de apoio

Como advogada, Vitória destaca que nenhuma medida protetiva é ‘100% eficaz’. “Muitos homens, mesmo com medidas protetivas, burlam tais medidas e cometem alguma violência contra ex-companheiras, ex-mulheres. Se a ameaça foi explícita, registre essa ocorrência com prints, testemunhas e provas dessa violência, seja verbal, psicológica, física ou sexual”.

Tratando-se de longo prazo, tais cuidados tendem a falhar caso a vítima não se fortaleça e busque apoio junto de pessoas de confiança. Assim, a advogada recomenda ainda que, se possível, a mulher contrate uma pessoa especializada ou uma equipe jurídica para ampará-la do ponto de vista legal quando o término do namoro ficar conflituoso.


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