Um estudante de Engenharia de Software da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de 25 anos, voltou a ser preso nesta quarta-feira (2), em Campo Grande, durante uma nova etapa da Operação Infância Segura. A prisão ocorreu após o surgimento de novos elementos durante a análise dos dispositivos apreendidos na investigação.
O investigado havia sido preso em flagrante no dia 28 de agosto, durante a quinta fase da operação, realizada na Vila Sobrinho. Na ocasião, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), foram encontrados mais de 3 mil arquivos relacionados a abuso sexual infantil armazenados em aparelhos celulares.
O material estava em uma pasta protegida nos dispositivos e, conforme a investigação, continha imagens e vídeos envolvendo crianças e adolescentes. O conteúdo permanece sob análise pericial.
Após a prisão inicial, o Ministério Público pediu a conversão da detenção em prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados estava o conhecimento técnico do investigado na área de informática, que, segundo os promotores, poderia facilitar a ocultação ou eventual manipulação de provas.
Entretanto, durante a audiência de custódia realizada em 29 de agosto, o pedido de prisão preventiva foi negado. O juiz José Henrique Kaster Franco concedeu liberdade provisória, com monitoramento por tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias.
Na decisão inicial, foram considerados fatores como a ausência de antecedentes criminais e o fato de o investigado ser primário. Também foi apontada, naquele momento, a inexistência de indícios de comercialização do material investigado.
A situação mudou após o avanço das diligências. Com a perícia e a análise dos aparelhos recolhidos, investigadores identificaram novos elementos que, segundo o MPMS, reforçaram a necessidade da prisão cautelar.
Diante disso, a Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA) de Campo Grande expediu o mandado de prisão preventiva. A decisão considerou, entre outros pontos, a necessidade de preservar a ordem pública, garantir o andamento das investigações e evitar possíveis interferências na produção de provas ou eventual repetição das condutas investigadas.
A nova prisão ocorreu no âmbito da sexta fase da Operação Infância Segura, conduzida pelo MPMS por meio da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC), em apoio à 69ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.
O processo tramita sob segredo de Justiça. Os dispositivos eletrônicos apreendidos continuam sendo submetidos a exames periciais, que poderão contribuir para esclarecer a extensão dos fatos investigados.
