A família da jovem Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, que morreu após sofrer convulsões no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande, em março deste ano, aguarda conclusão do laudo e inquérito policial que apura as circunstâncias de sua morte.
Conforme apurado, Ludmila ingeriu um coquetel letal à base de drogas. O namorado da jovem, de 21 anos, alega que ela teria cometido suicídio. No entanto, a família de Ludmila refuta essa versão e acredita em um possível feminicídio.
O advogado da família, Jossandro Oliveira, explica que o inquérito, o laudo necroscópico — que ainda não foi liberado — e as informações obtidas com o acesso aos celulares da vítima e do suspeito indicarão se a morte foi criminosa.
Há, contudo, controvérsias. “O acusado demorou demais para entregar os celulares. A preocupação da família é que tivesse sido feita alguma alteração nas conversas, ou até sido apagada alguma conversa entre os dois”, comenta Oliveira.
Inquérito
Segundo informações obtidas pelo Jornal Midiamax, o inquérito policial aponta que Ludmila morreu por overdose de drogas. Contudo, a jovem não teria intenção suicida. Essa informação é, no entanto, questionada pela família.
“Existe uma controvérsia se ela tomou ou se ele deu para ela [o coquetel]. Mas não tem nada, até a data da última vez que nós olhamos todas as mensagens, os vídeos, não tem nenhum vídeo, eu te garanto, mostrando ela tomando algo”, destaca, ainda, o advogado.
Jossandro destaca que o relacionamento do casal era conturbado e o namorado era agressivo. “Hoje você vê que ele era uma pessoa agressiva. Tem situação em que ele arrastou ela do chão, teve colegas que viram ela sendo agredida.”
O parceiro da vítima, de acordo com o advogado, vendia drogas. “Ele vendia o entorpecente, então, de qualquer forma, ainda que não seja pelo feminicídio, eu entendo que no mínimo o tráfico de drogas é indiscutível, com o que já tem de informações”, revela.
Versão do namorado
No local da ocorrência, o namorado de Ludmila se apresentou aos policiais e disse que, um dia antes da morte, pediu que a vítima retirasse uma denúncia que havia registrado contra ele em 2025. Isso porque a denúncia estaria impedindo o cadastro do rapaz nas plataformas de transporte por aplicativo.
Diante do pedido, o namorado contou que foi com a jovem até o fórum para tratar do assunto. No entanto, quando estavam em frente ao prédio, Ludmila teria começado a discutir com ele por ciúmes. Ele pediu uma corrida de aplicativo e retornou para casa.
Depois, a namorada chegou ao local de motocicleta. O casal continuou discutindo e o rapaz foi para o lado de fora do imóvel. À polícia, ele contou que, em determinado momento, viu Ludmila colocando um pó branco em um copo com água, dentro da casa. Após ingerir o líquido, a jovem teria dito a ele que era cocaína.
Em seguida, conforme o relato, Ludmila começou a passar mal e o namorado pediu que uma vizinha chamasse o Samu (Serviço Móvel de Urgência). Logo, conduziu a jovem até o banheiro, pois ela teria pedido para tomar banho. Ao sair do banho, a vítima sofreu uma convulsão e teria batido o rosto na porta do quarto.
Segundo o rapaz, enquanto Ludmila passava mal, ele ficou em contato com os socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que o orientaram sobre como proceder. Em determinado momento, a jovem teria melhorado e o rapaz disse a ela que se deitasse na cama.
Contudo, Ludmila teria convulsionado novamente. Ao chegarem ao local, os socorristas do Samu retiraram a jovem do imóvel e a colocaram na viatura. Diante do relato do namorado e da dinâmica encontrada no local, a Perícia Técnica e a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) foram acionadas.
